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Estudo Plural inicia recrutamento com 20% de prevalência de covid-19

Pesquisa inédita em todo o mundo vai estimar prevalência e prognóstico de covid-19 e IST em pessoas trans, trabalhadores do sexo e do entretenimento adulto em São Paulo

Com 20% de prevalência para covid-19, o Instituto Cultural Barong marcou o início do recrutamento das 1.500 pessoas participantes do Estudo Plural, pesquisa inédita em todo o mundo que vai estimar a prevalência e o prognóstico de covid-19 e infecções sexualmente transmissíveis (IST) em pessoas transexuais, trabalhadores do sexo e do entretenimento adulto em São Paulo.

Nesta quinta-feira (26), foram recrutadas 22 pessoas na Casa Florescer 1, que abriga 30 mulheres travestis e transexuais no Bom Retiro, bairro da zona central da capital paulista. A pesquisa é uma iniciativa do Barong que reúne parcerias com a universidade, a gestão da saúde, uma startup de soluções em saúde, além de outras organizações da sociedade civil, como a Casa Florescer, por exemplo. 

“O Estudo Plural nasce a partir de uma questão surgida com as observações in loco, com a possibilidade de interação entre os medicamentos para a harmonização hormonal de pessoas transexuais, de trabalhadoras sexuais e sua exposição à covid-19 e às IST. A gente testava HIV, sífilis, hepatites, mas não tinha teste de covid pra oferecer; e essas pessoas continuaram a trabalhar, mesmo durante a maior restrição de mobilidade na pandemia, entre março e agosto de 2020”, conta a assistente social Marta McBritton, presidente do Barong.

Na parceria, por meio do Programa USP Diversidade estão a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) e a Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP); o Núcleo de Doenças Sanguíneas e Sexuais (NDSS) do Centro de Virologia do Instituto Adolfo Lutz (IAL), o Centro de Referência e Treinamento em IST/Aids (CRT-DST/AIDS-SP) da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, e a startup GermSure, além do Barong. 

No contexto da pandemia de covid-19, hormônios sexuais desempenham um papel claro na modulação da resposta imune, e “com mortalidade maior nos homens em comparação com as mulheres provavelmente está associada aos níveis de hormônios sexuais que podem influenciar a resposta inflamatória”, explica a professora Ana Paula Morais Fernandes, da EERP-USP. “Mulheres transgênero procuram tratamento hormonal, seja por bloqueio da testosterona e/ou administração de estrogênio e homens transgênero utilizam administração de testosterona.”

Biologia de sistemas
Por meio das análises da biologia de sistemas, o Estudo Plural pretende identificar os níveis plasmáticos de mediadores inflamatórios em 1.500 amostras de pessoas  participantes da pesquisa na cidade de São Paulo. Mediadores inflamatórios são biomarcadores capazes de predizer e de caracterizar falhas de tratamentos e fornecer prognósticos de gravidade em doenças no contexto de vulnerabilidade social.

“Esta pesquisa é extremamente importante, primeiro considerando que temos informações quase inexistentes sobre o tema envolvendo as pessoas trans e todas as estratégias voltadas para esta população promovem sua inclusão nos serviços e uma aproximação às estratégias de prevenção às IST e ao HIV/Aids”, afirma a médica Rosa Alencar Souza, da diretoria técnica do CRT-DST/AIDS-SP.

“Apesar de estudos mostrarem que há uma evidente relação entre hormônios e respostas imunológicas envolvendo biomarcadores, o significado clínico em pacientes infectados por SARS-CoV-2 permanece amplamente desconhecido”, corrobora a professora Ana Paula. “Assim, pesquisas como esta, que analisam biomarcadores inflamatórios, têm o potencial de permitir uma melhor compreensão da doença, para busca de alvos terapêuticos no contexto da covid-19”, argumenta.

Material biológico
Durante o Estudo Plural, o material biológico será coletado pela equipe do Barong e por cerca de 20 graduandos e pós-graduandos da EERP-USP. Essas amostras serão recebidas, preparadas e armazenadas pela equipe do NDSS do Instituto Adolfo Lutz. 

 “A atuação do núcleo neste trabalho tem a finalidade de preservá-las adequadamente até o momento das análises laboratoriais previstas”, explica o professor Luís Fernando de Macedo Brígido, diretor do Núcleo de Doenças Sanguíneas e Sexuais do IAL. “O compromisso do NDSS com o projeto é garantir a qualidade dessas amostras.”

 “Todos os testes e autotestes são da GermSure, que está garantindo o diagnóstico de covid-19 no Estudo Plural”, salienta a artista plástica Adriana Bertini, diretora de projetos do Barong. A startup dedica-se a desenvolver soluções em saúde para promover ferramentas sustentáveis para a prevenção e o controle de doenças.

A GermSure espera obter “informações que embasem a necessidade do autoteste de covid como política pública de saúde”, vislumbra Ana Flávia Pires, co-fundadora e gerente de produto. Um dos objetivos do Estudo Plural é a usabilidade do teste rápido de Covid-Ag como autoteste em 500 pessoas trans. “Vamos fazer um questionário para mostrar que essa população nunca teria acesso ao autoteste se não fosse pelo projeto.”

Estudo Plural

  • Participantes da pesquisa: 1.500 pessoas que se identifiquem como transexuais, trabalhadoras do sexo e do entretenimento adulto  na cidade de São Paulo; pessoas vivendo com HIV; pessoas que se relacionam diretamente com essas populações;
  • Caracterizar participantes segundo dados sociodemográficos e situação de exposição e vulnerabilidade;
  • Estimar a prevalência de covid-19, hepatites virais, sífilis e HIV;
  • Analisar vulnerabilidades para infecção e disseminação da covid-19, hepatites virais, sífilis e HIV;
  • Identificar preditores de gravidade da covid-19 em coinfecções;
  • Analisar biomarcadores inflamatórios correlacionados com comorbidades e de falhas de tratamento;
  • Avaliar a usabilidade do teste rápido de Covid-Ag como autoteste em 500 pessoas trans.

Recrutamento
Neste início do recrutamento na Casa Florescer, “a prevalência ficou muito alta na ação de ontem, mostrando que essa população realmente está mais suscetível a reinfecções por covid-19”, afirma o professor Carlos Arterio Sorgi, do laboratório de Bioquímica e Imunologia da FFCLRP, pesquisador responsável pelo Estudo Plural. Esta e outras ações para o recrutamento da pesquisa, que serão realizadas em outras casas de abrigo e acolhimento de pessoas trans – e também no Ambulatório de Saúde Integral de Travestis e Transexuais do CRT-DST/AIDS-SP estão na “amostra intencional” no estudo, com a qual as pessoas convidadas serão incluídas tão logo assinem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE(*) do estudo. “Quando a gente traz a narrativa desses corpos trans invisibilizados, pensa na negação do acesso a um direito. Direito básico à saúde, neste caso”, explica Alberto Silva, coordenador da Casa Florescer.

Grande parte da população acolhida pela Casa Florescer vem da invisibilidade. Para Silva, a aproximação com uma equipe multidisciplinar na interlocução “reverbera outra possibilidade de autodescoberta, de reinvenção e de desenhar outras perspectivas perante o direito básico à saúde”. Muitas trans ainda têm bastante resistência, fruto de uma relação com a saúde que muitas vezes se torna tóxica, devido à falta de entendimento na aproximação com esse território, tão necessária para essas corpas e esses corpos”. 

Dívida social e ESG
“Eu sinto que temos uma dívida enquanto sociedade com as trabalhadoras do sexo; aliás, com todas as pessoas invisíveis. E toda sociedade usufrui de uma profissional do sexo, seja assistindo um vídeo pornô ou citando como exemplo de uma vida sem futuro”, enumera a presidente do Barong. “Nós não queremos ‘ajudar’, mas encontrar uma maneira de oferecer dignidade a essas pessoas.” 

“No Barong, trabalhamos com as metas dos Objetivos 1, 3, 4, 5, 8, 10, 11, 16 e 17 do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Nós aplicamos os conceitos globais de ESG na governança e no fortalecimento socioambiental em todos os projetos”, sublinha Bertini.

Com população estimada em 20 milhões de habitantes, a capital paulista absorve considerável número de pessoas transexuais trabalhadoras do sexo e do entretenimento adulto. Os locais de coleta dos dados serão os de maior circulação desta população, como o Largo do Arouche, Rua Moisés Kauffmann, Avenida Indianópolis, Alameda Casa Branca, Rua Frei Caneca, entre outros. Novas datas serão agendadas em outras casas de acolhida, como a Casa 1, Casa da Luz, Casa Chama, Casa Neon Cunha e os Centros de Cidadania Norte e Leste.

Espera-se que as coletas sejam analisadas até “o final de agosto, começo de setembro, para que os resultados sejam apresentados até o final de dezembro”, conclui a professora Ana Paula, também coordenadora do Programa USP Diversidade.

(*) Conforme Resolução 466/2012 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) do Conselho Nacional de Saúde (CNS), o Estudo Plural foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto – Universidade de São Paulo, sob protocolo CAAE# 51994921.7.0000.5407. A coleta de dados será realizada após concordância e assinatura voluntária do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), em duas vias, ficando uma cópia com o/a participante e outra com o/a entrevistador/a. Para quem não domina a leitura (analfabetos e/ou analfabetos funcionais) será utilizada autenticação digital. Às pessoas participantes da pesquisa será garantido sigilo das informações e anonimato. Menores de 18 anos, pessoas gestantes, pessoas sob efeito de álcool e/ou entorpecentes identificadas pelos entrevistadores não podem participar do estudo.

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Barong - 2018